Resenha: A Adorável Loja de Chocolates de Paris - Jenny Colgan

Sinopse - A adorável loja de chocolates de Paris contém receitas de dar água na boca. Sim, é verdade que Anna Trent é supervisora numa fábrica de chocolate. Mas isso não quer dizer que ela saiba fazer chocolate. Por isso, quando um acidente muda sua vida e Anna tem a chance de ir trabalhar numa tradicional loja em Paris, ela tem certeza de que vão descobrir que é uma fraude. Afinal, existe uma diferença muito grande entre o chocolate industrial da sua cidade natal, no norte da Inglaterra, e as criações feitas à mão, com ingredientes da melhor procedência, pelo grande chocolatier Thierry Girard. Mas com um pouco de sorte, muita paciência e a ajuda dos novos amigos, o exuberante Sami e o galanteador Frédéric, Anna vai descobrir mais sobre o verdadeiro chocolate – e sobre si mesma – do que jamais sonhou. Cheio de lições de esperança, engraçado e irresistivelmente viciante, A adorável loja de chocolates de Paris é um romance delicioso que nos lembra que sempre vale a pena lutar pelas coisas mais doces da vida.

Tudo começa em Kidinsborough, na Inglaterra. Anna Trent é uma mulher de 30 anos de idade que trabalha como degustadora em uma fábrica de chocolate, um emprego estável em uma cidade em que as oportunidades de trabalho são poucas. Mas sua vida muda completamente ao sofre um acidente dentro da fábrica, o que faz com que Anna precise passar um tempo internada no hospital, onde reencontra sua professora de francês da escola, a Sra. Claire Shawcourt.

As duas acabam se aproximando e trocando confidências durante a internação. Claire se sente incompleta após o seu acidente e a falta de perspectiva de encontrar um bom trabalho local a deixa ainda mais triste. Claire confessa que passou um tempo em Paris em sua juventude e que foi uma experiência única e começa a incentivar Anna a fazer o mesmo. Claire está tão convicta que consegue arranjar um emprego para Anna com um velho conhecido em uma das lojas mais tradicionais de chocolates parisienses.

Claire está passando por um momento difícil, não tem confiança em si mesmo e está sofrendo para aceitar o seu novo "eu". Então após ter alta do hospital e ficar um bom tempo trancada em casa com uma possível depressão, ela é incentivada a dar uma nova chance a vida e o que seria melhor para isso do que passar alguns meses em Paris?
"Aliás, além de me aproximar da Claire, o acidente tinha mesmo me feito mudar. Antes dele, eu topava todas, e a compreensão de que eu na verdade não era invencível era bastante dolorosa. Eu chamava isso de recuperação, mas, na verdade, estava mais para um esconderijo." (p. 88)
O trabalho no ateliê é completamente diferente do que Anna estava acostumada na fábrica. Para começar, os chocolates são artesanais, frescos e seus colegas de trabalho, Frederic e Benoit, levam o ofício muito a sério. Chocolate é uma arte e Anna vai se inspirar com os novos conhecimentos.

No núcleo da loja, temos o Thierry, Frederic, Benoit e Alice. Thierry é um homem carismático, expansivo (e não é por causa do seu tamanho). Por onde ele passa é reconhecido e valorizado. É o tipo de pessoa que rouba a cena, mesmo sem intenção. Ele se agarra com unhas e dentes a vida, tentando aproveitar ao máximo cada instante, ao contrário de sua companheira, a Alice. Alice é arrogante, olha para as pessoas com o nariz empinado e não gosta quando as pessoas se aproximam emocionalmente de Thierry, o que causa desde o primeiro contato uma sensação de desconforto entre ela e a Anna. Frederic é o galanteador, o clichê do que imaginamos que é um homem francês. Cada dia uma "namorada" diferente e suas falas com o sexo oposto são sempre repletas de elogios e lisonjas. Benoit está no ateliê desde jovem, trabalha com afinco e fala muito pouco. É um gigante monossilábico.

Apesar do pequeno apartamento, Anna tem a companhia do grandioso Sami. Sami trabalha no departamento de figurinos da Ópera de Paris, trabalhando muito e ganhando pouco. Mas conhecer tantas pessoas no trabalho dá acesso a ele a diversas festas e reuniões, o que ele ama. É uma pessoa confiante, que ama a si mesmo e não dá a mínima para o que os outros pensam sobre ele. É por causa de Sami e uma de suas noitadas que Anna irá conhecer Laurent e verá as nuances de sua família.

Paris é encantadora de uma forma única. Anna vai, pouco a pouco, compreendendo e assimilando a alegria de viver dos parisienses e tenta equilibrar o árduo trabalho que tem no ateliê Le Chapeau Chocolat, com o famoso Thierry Girard e as festas e comemorações que seu colega de apartamento Sami, vive participando.
"Mas também havia algo em Paris que tinha me despertado. Depois do acidente, depois de minha doença, tudo em Kidinsborough parecia muito frio, cinza e sem vida." (p. 194)
Em paralelo a história da Anna, o leitor é levado a uma viagem no tempo e volta para 1972, onde irá conhecer a história da jovem Claire (a mesma Claire que se torna a professora de francês para Anna na escola). Claire é filha de um rígido religioso e mora na Inglaterra com os pais, até que surge a oportunidade de passar alguns meses como au pair na França. Crescendo sob uma rígida criação, Paris é um mundo completamente diferente da jovem, onde as pessoas são mais liberais e onde o círculo social da família com quem está hospedada é cheia de deslumbramento comparado com a vida simples que leva com os seus pais.

Conforme as semanas passam, Claire vai saindo de sua concha e acaba conhecendo um homem que irá mudar sua vida de forma irrevogável. É durante essas passagens do passado que o leitor irá conhecer os sentimentos mais profundos dessa querida personagem.

"A adorável loja de chocolates de Paris" é uma leitura deliciosa não apenas por ter como protagonista o néctar dos deuses, conhecidos por nós, meros mortais, como chocolate, mas por apresentar ao leitor não uma, mas DUAS histórias sobre duas mulheres fortes, que amadureceram e se tornaram excepcionais na inspiradora Paris.

É um livro que fala de amor, de agarrar com ambas as mãos as oportunidades que a vida nos dá, mas também fala de autoconhecimento e em ir atrás de seus sonhos. "A adorável loja de chocolates de Paris" fará o leitor se apaixonar desde a mensagem aos leitores da autora antes de iniciar a história até as deliciosas receitas que se encontram no final do livro.
"Viciados em heroína costumam dizer que estão sempre atrás daquele primeiro barato, a primeira vez que se sentiram envoltos em algodão, deixando todas as preocupações do mundo para trás. Eu não diria que foi tão impressionante assim. Porém, no instante em que a substância espessa, ainda morna, encostou em minha língua, eu pensei, por um momento, que ia cair dentro da panela. Não, pior, que eu ia MERGULHAR nela, para beber cada gota daquela maravilha chocolatosa doce - mas não doce demais - , cremosa mas não enjoativa, densa, de sabor intenso, rica, suave e envolvente. Era como se alguém tivesse me dado um abraço carinhoso." (p. 69)

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